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A Lei 13.019/2014 que disciplina as parcerias estabelecidas entre o Poder Público e as Organizações da Sociedade Civil (OSC) organiza a dinâmica dessas parcerias em 5 etapas: Planejamento e Gestão Administrativa; Seleção e Celebração; Execução; Monitoramento e Avaliação; Prestação de Contas.

Aqui trataremos da fase de “Monitoramento e Avaliação”, buscando responder uma questão que chegou de Manaus ao Projeto OSC LEGAL: é obrigatório que o Poder Público realize visita in loco nas parcerias que estabelecem com OSC?

A princípio deve-se apontar que a Lei 13.019/2014 tem um capítulo específico para o tema “Do Monitoramento e Avaliação”, art. 58 a 60, onde não há qualquer referência a visita in loco ou termo equivalente.

Entretanto, vale o registro histórico de que o texto original da Lei 13.019/2014, cujo teor atual foi alterado pela Lei nº 13.204/2015, continha uma certa ênfase neste instrumento de monitoramento e avaliação. O antigo texto do art. 58 incumbia a administração pública de fiscalizar as parcerias, “inclusive por meio de visitas in loco, para fins de monitoramento e avaliação do cumprimento do objeto”. Este artigo foi bastante alterado na reforma da Lei e agora, como dito, não possui qualquer referência a essa modalidade de acompanhamento.

Por sua vez, o art. 66, parágrafo único, I, da Lei 13.019/2014, estabelece que a Administração Pública, no momento de análise da prestação de contas, deverá considerar o relatório de visita técnica in loco eventualmente realizada durante a execução da parceria.

Aqui, portanto, abre-se a possibilidade (e não obrigatoriedade) de utilização deste instrumento, com a efetiva realização das visitas, o que nos remete às regulamentações específicas de cada ente público envolvido.

Considerando o Decreto Federal nº 8.726/2016, que estabelece regras e procedimentos das parcerias entre a administração pública federal e as OSC, em seu art. 52, estabelece que a administração pública “deverá realizar visita técnica in loco para subsidiar o monitoramento da parceria”, mas condiciona esta obrigatoriedade àquelas hipóteses em que for essencial para verificação do cumprimento do objeto da parceria e do alcance das metas. Para tanto, a Administração deverá notificar previamente a OSC, com pelo menos 3 dias úteis de antecedência.

Nas parcerias de nível federal, sempre que houver visita técnica in loco, o resultado será apontado em relatório específico, registrado na plataforma eletrônica e enviado à OSC para conhecimento, esclarecimentos e providências e poderá ensejar a revisão do relatório, a critério do órgão ou da entidade da administração pública federal.

O Estado do Paraná, em seu Decreto 3.513/2016, art. 65, determina que a Administração Pública realizará visita in loco, diretamente ou com apoio de outros órgãos ou entidades públicas, durante a execução dos instrumentos de parceria. No Rio Grande do Sul, o Decreto nº 53.175/2016, inclui a visita in loco como instrumento de monitoramento e avaliação.

Em Santa Catarina, o Decreto nº 1.196/2017, estabelece que o monitoramento contempla a visita in loco, diretamente ou com apoio de terceiros, que pode ser dispensada nas parcerias com valor inferior a oitenta mil reais, exceto no caso de obra, quando deverá ser realizada vistoria a cada prestação de contas.

Nos Estados do Maranhão (Decreto nº 32.724/2017), Mato Grosso do Sul (Decreto nº 14.494/2016), Pará (Decreto nº 1.835/2017), Pernambuco (Decreto nº 44.474/2017) e em Minas Gerais (Decreto nº 47.132/2017), as respectivas normativas determinam que as visitas técnicas in loco poderão ser realizadas para subsidiar o monitoramento das parcerias, quando necessárias para verificação do cumprimento dos objetos. Os achados serão circunstanciados em relatório, que será registrado na plataforma eletrônica e enviado às OSC para conhecimento e eventuais providências.

O Distrito Federal segue a mesma linha, mas o Decreto Distrital nº 37.843/2016, acrescenta que a visita técnica será obrigatória nas parcerias cujo objeto seja a realização de serviços de educação, saúde e assistência social, conforme periodicidade e procedimentos estabelecidos nos atos normativos setoriais. Por sua vez, em Rondônia (Decreto nº 21.431/2016) a obrigatoriedade alcança as parcerias para “realização de serviços assistenciais”. Já no Estado do Piauí (Decreto nº 17.083/2017) o critério é econômico, na medida em que estabelece como obrigatória a visita in loco nas parcerias com valores iguais ou superiores a quinhentos mil reais.

Semelhante ao que ocorre em âmbito federal, a regulamentação do Estado da Bahia, o Decreto Estadual nº 17.091/2016 possui um capítulo para o tema “Do Monitoramento e Avaliação” que não faz qualquer referência a visita in loco ou termo equivalente. Entretanto, ao se referir a análise da prestação de contas, obriga a Administração Pública a considerar o relatório de visita técnica in loco eventualmente realizada.

O MROSC, com base na Lei nº 13.019/2014, estabelece que o Poder Público deve estabelecer procedimentos de monitoramento e avaliação, para acompanhamento sistematizado das parcerias que estabelece com OSC. As visitas in loco aparecem como uma possibilidade, uma ferramenta para tal, embora não seja um elemento obrigatório. Daí a importância de se consultar os regulamentos específicos de cada localidade para verificar a previsão legal pertinente.

A partir do panorama aqui levantado, pode-se afirmar que apesar de não ser obrigatório em todos os locais e circunstancias, a visita in loco é um instrumento válido e importante, recomendável para aproximar os parceiros entre si e colocar o Poder Público em contato direto com a intervenção realizada pelas OSC.

Fonte: medium.com/

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Organizações de pessoas com deficiência – com pelo menos 51% dos membros do conselho com alguma deficiência ou pais de crianças com deficiência – podem se candidatar a receber apoio Fundação Abilis, entidade finlandesa criada em 1998.

Para receber apoio, deve-se enviar um e-mail (abilis@abilis.fi) para a Abilis contendo um plano narrativo de projeto e um orçamento. Além disso, é necessário que as entidades proponentes tomem decisões de forma democrática e tenham capacidade administrativa e financeira.

Os projetos não podem ter duração superior a um ano. Entre as possibilidades de ações a ser financiadas estão produção de material de formação e divulgação dos direitos das pessoas com deficiência.

Novas solicitações começaram a ser processadas em 31 de janeiro. Tanto o projeto, quanto os participantes devem estar alinhados com os princípios estabelecidos pela organização. Todos os detalhes estão disponíveis no site da organização.

Fonte: Gife

Link: www.filantropia.ong/

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O que uma sandália, uma galinhada e uma rede de hotéis podem ter em comum? Todas servem tanto como instrumentos para a captação de recursos quanto para a difusão do trabalho de organizações da sociedade civil (OSCs). A parceria entre instituições sem fins lucrativos e empresas comerciais é chamada de Marketing Relacionado à Causa (MRC), ainda pouco conhecido no Brasil, mas já com alguns exemplos bem consolidados.

“O MRC é forte no mundo todo, mas por aqui ainda está se desenvolvendo. Tem de contemplar tanto retornos sociais quanto mercadológicos”, diz Ângelo Franzão, superintendente de captação de recursos e marketing da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Há três anos, a instituição faz uma ação com a Divino Fogão, franquia de comida caseira, em que as vendas do prato de galinhada são inteiramente revertidas para a causa social. “Eles nos procuraram e apresentaram a proposta. Já arrecadamos R$ 160 mil”, conta Franzão.

E a empresa ganha o que? “A franquia está feliz com o resultado, que é intangível, imensurável, e visa fidelizar mais o consumidor”, explica Franzão, que já esteve do outro lado — publicitário, trabalhou durante anos na agência McCann, uma das maiores do mundo.

A exemplo da Divino Fogão, a Atlantica Hotels também tomou a iniciativa de buscar a parceria com uma Organização da Sociedade Civil. O CEO da rede entrou em contato com a Childhood Brasil, entidade que atua com foco na proteção da infância. “O ramo hoteleiro é especialmente vulnerável a questões de direitos das crianças e adolescentes. Em 2006, começamos o trabalho de Marketing Relacionado à Causa”, diz Vanessa Higa, assessora de mobilização de recursos da Childhood Brasil.

Em todos os hotéis da rede, os atendentes sugerem que os hóspedes façam doações para a Childhood, tanto no check-in quanto no check-out. Em datas especiais, como no mês da criança, em outubro, ou no Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças (18 de maio), são realizadas ações específicas. “Já arrecadamos mais de R$ 5 milhões, fora o retorno de imagem”, relata Vanessa.

Mão dupla

Da mesma maneira que empresas batem na porta de instituições sem fins lucrativos, o contrário também acontece. Foi o caso do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), que, em 2004, procurou a Havaianas para uma parceria.

“Queríamos trabalhar nosso posicionamento. As pessoas percebem a natureza como uma coisa distante. Fizemos uma pesquisa e vimos que a Havaianas chegavam a um público amplo no Brasil e também tinha grande potencial de internacionalização”, diz Andréa Peçanha, coordenadora de unidade de negócios sustentáveis do Ipê.

Todo ano, a Havaianas e o instituto lançam uma coleção estampada com animais em extinção, e parte das vendas é revertida à OSC. “Em 12 anos, arrecadamos R$ 6 milhões. Já foram vendidos 12 milhões de pares”, conta Andréa, que ressalta: “Agora, 12 milhões de pessoas nos conhecem”.

Na avaliação da representante do instituto, o MRC tem enorme potencial para crescer no país. Mas ela destaca que é preciso haver mais equilíbrio entre as partes. “Às vezes, a organização se vê como o lado pobre e a empresa, como o rico, mas você também traz valor às marcas relacionadas. É possível uma relação mais horizontal”.

Ângelo Franzão faz análise semelhante: “Associar-se a uma causa social aumenta a relevância da marca.”

Fonte: http://captamos.org.br/